Never soft

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psico drama, choro de ilusões, brincando com seu consciente.

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e ele levantou, olhou nos meus olhos com cara de que não se importava.
- Sou o Clark
- Claire
Clarck: Eu te chamei porque você me lembrou a garota do meu sonho.
Claire: Qual a diferença ?
Clarck: Nenhuma.
O Vento bateu avisando que iria esfriar mais aquele momento, eu não o conhecia, ele “nunca” havia me visto, e eu estava tentando desvendar o jogo dele até agora
Clarck: Claire
Claire: é.
Clarck: Você tem olhos lindos.
Claire: Obrigada.
Clarck: Reparei que você fuma. Quer um ?
A aparência de que eu fumava não era tão difícil, eu tinha a boca machucada e sensível, queimada de leve pelas ultimas tragadas, por esse motivo horrível, eu aceitei, e acendi o dele como um “obrigado”, eu me deitei na grama e fiquei olhando as estrelas, as poucas que restaram com a luz da cidade.
Claire: Gosto de estrelas, elas passam a ideia de que você esta sozinho, e isso é bom.
Clarck: Nunca apreciei ficar em sociedade, eles só me estragam e me deixam um pouco irritado.
Ele deitou do meu lado.
Que cena dramática a nossa, falas depressivas, parece que isso é tão constante quando estou exposta a machucados interiores, tudo parece tão preto. Engraçado, eu gosto do preto que eu vejo, ele me impede de gostar de outras cores. De outras faces e fazes. Eu via claramente no rosto dele, as manchas da noite passada.
Claire: O que ta te fazendo mal?
Clarck: Acho que tudo.
Claire: Quer contar?
Clarck: Eu preciso. Quando encontrei minha mãe morta na frente de casa, quando vi meu pai vir descontar no meu lado esquerdo da boca que todo mundo deve ter reparado, acho que ela nunca deixou de ser mais que uma cicatriz quando me olho no espelho, a agressão verbal que entrou junto com a faca na minha boca, foi o que pesou, e o que pesa até hoje.
                Eu não queria entrar em detalhes, porque detalhes são como cacos de vidro quando entram na sua pele, preferi me opinar.
Claire: Já pensou em esquecer tudo isso pra poder seguir em frente?
Clarck: Já mas esse ideia foi assoprada da minha cabeça. É a questão do ‘eu não consigo’ ter dominado o meu jeito de pensar.
Claire: É a questão de que tudo quando se coloca na minha cabeça, vira bagunça.
Clarck: O que aconteceu com você?
Claire: Eu caí das minhas próprias pernas, na minha própria base. A pessoa quem eu mais amava foi embora, e só depois eu descobri que ela já tinha me largado muito antes disso tudo. Minha tia, era como uma mãe pra mim, mas Lilly e Stan foram o que eu chamava de pai, a umas semanas atrás quando eu já estava caindo, a Lilly me contou que minha verdadeira mãe era a Tia Jenny. E que ela achou que não tinha condições de ser mãe, ela morreu a um bom tempo, e nem foi o câncer que eu achei que fosse, ela mesma se matou quando viu que a 

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Me virei de novo e ele não estava ali.
Coloquei meu tênis, prendi meu cabelo e fui pra casa, deixando um bilhete pro Ben.
Cheguei em casa e minha mãe estava no quarto deitada, continuei andando até meu quarto e tinha uma musica tocando dentro da minha cabeça, um ritmo de ninar confortante e assustadoramente diferente.
Com todo aquele drama emocional girando em torno do meu psicológico, eu poderia chegar a conclusão nenhuma, a tão distante estava a minha vida daquelas historias antigas, procurar saber do meu passado iria piorar o sangramento interno, mas eu não me impedi, eu estava cheia de murros no estomago, olhar pra eles não iria machucar tanto quanto na força que eles me atingiram.
               Pulei duas semanas sem ir na aula, desconectei o cabo do telefone fixo, ninguém percebeu, estavam todos a semana toda tentando me obrigar a comer, a dormir, a conversar, a sair, a rir, a sorrir e a aprender a conviver em uma sociedade que eu nunca me encaixei. Eu passei duas semanas em casa com dores de cabeça, dando desculpas a todos que eu estava doente e que se viessem aqui em casa eu iria me irritar, a campainha tocou variadas vezes e nenhuma das tentativas de presença amigável eu aceitei.
Claire: Você tem foto dos meus irmãos ai?
Lilly se virou assustada da cama do quarto dela.
Lilly: Am.. A…
Ela levantou, foi até a gaveta e me entregou a essa caixa preta, parecia uma porta joia antiga, ela o abriu.
Lilly: esse aqui é o Dave
Era branquinho, olho claro, lindo.
Lilly: Esse é o Martin
Era extremamente parecido com o cara que eu vi no espelho. Olhei a foto de novo.
Claire: Ele morreu aqui?
Lilly: Na sacada lá trás.
Coloquei a mão no meu nariz, e ele estava sangrando. Sai correndo e fui pro banheiro, passei algodão, fiquei me olhando no espelho me contorcendo de pensamentos. Era de se estranhar mas minha cabeça estava preste a explodir sangue, discórdia e escoamento de perguntas inflamáveis. É como se tivesse uma ancora me prendendo de sair daquele quarto encharcado o de mim mesma. Peguei meu tênis e sai, estava frio, e gostoso, andando pela rua com os braços cruzados e a neblina cobrindo meu cabelo, e minha respiração saindo como fumaça, ainda dava pra enxergar as pessoas em volta, mas bem pouco, passou um garoto de cabelo loiro bagunçado, de roupas escuras, com esse olhar reto diferente , do tipo que você não tem nem ideia de como se explica. Ele esbarrou em mim com um tom de voz afetado e depressivo com uma cicatriz do lado esquerdo da boca, fumando, me deu um gosto suicida nos olhos.  
Coloquei minhas mãos no bolso, estava ocupado com um papelzinho fino, “Estou te esperando no parque perto da minha casa” pensei em um jeito de achar, ele foi reto, virando a esquerda e indo mais pra frente tinha um parque enorme, cheio de pinheiros e bem fresco, vou chutar na tentativa de ir lá. Ele estava deitado olhando o céu estrelado.
- Eu não esperava sua presença tão cedo.
Claire: Porque me chamou aqui?
- Sabia que a noite as pessoas se confortam mais com companhia?
Me sentei na grama verde

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livro na cabeceira da cama e voltei a ler da onde eu tinha marcado com uma dobra na ponta da folha, adormeci.
                3 horas depois alguém esmurrava minha porta de novo, peguei meu celular, eram cinco horas da tarde, levantei e abri a porta dando de cara com ela de novo.
Lilly: Claire a gente pode conversar?
Fiquei esperando um sinal de ela começar o assunto
Lilly: Claire. Sua tia não morreu de câncer.
Claire: que? Como assim?
Lilly: Sua tia se matou.
Claire: Não mas o medico me disse que ela morreu de câncer
Lilly: Eu falei com o medico antes de você ir falar com ele. Sua tia na noite anterior, fugiu daqui e foi pra casa. Depois que chegou pegou uma faca na cozinha, subiu as escadas e foi ao banheiro, deixou a luz apagada, e cortou o pescoço. Encontrei ela lá de manha antes de você chegar. Por isso o medico não deixou que a visse. Não queria te contar.
Claire: Tem mais alguma coisa que queira me contar?
Lilly: Sim. Eu devia ter te contado antes. Eu tive dois filhos antes de você. Dave e Martin. Dave morreu com 2 anos. Ele caiu do berço e bateu a cabeça muito forte. Martin foi até 19 anos, ele se suicidou depois de matar seu melhor amigo. Me desculpa Claire, eu não consigo encarar essa situação de modo que eu engula tudo.
Eu entortei a cabeça, olhando pra minha mãe com dor na consciência e destruída por dentro.
Stan: a Sua tia não era sua tia. Era sua mãe. Jessie Caye. Igual você. Claire Caye.
Lilly: STAN
Claire: Vocês mentiram pra mim esse tempo todo.
sai correndo
Stan: CLAIRE VOLTA AQUI
Absurdamente enganada, acabada, desmontada, totalmente desconsertada, morta por dentro. Eu tropecei e cai, molhando meu cabelo no chão, e eu sentia a chuva, sentei e me arrastei até a parede, abracei meus joelhos, abaixei a cabeça, as pessoas passam de carro e não te enxergam, elas olham mas não querem ver. Não se importam. Eu me levantei andando, pela rua, tropeçando todo momento, Parei na casa do Ben, bati na porta devagar.
Ele abriu a porta
Ben: Claire?!
Ele me pegou no colo antes que eu caísse, fechou a porta e me colocou na cama dele, me cobriu, e deitou comigo. Passei a noite chorando, só consegui dormir depois do comprimido que o Ben me fez tomar, de manhã tinha um bilhete dele dizendo que foi ao supermercado.
Levantei fui tomar um copo de leite, e alguém me abraçou por trás
- Irmã
Eu arregalei os olhos e me virei, não tinha ninguém atrás de mim ou por perto
Claire: Ben?! É você?
Respondida pelo silencio.
Claire: Ted!?!
Terminei de tomar meu leite, achando que não era nada demais. Corri até o quarto do Ben me olhei no espelho, esta tudo bem, a notícia deve estar prensando meu cérebro.
- Ou não
Olhei no espelho e um cara loiro, alto, me olhava com aqueles olhos castanhos

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Claire: que
Ben: você esta bem?
Claire: pf.
- Tossi -
Ben: não devia ter te colocado nessa.
Claire: Relaxa esta melhor assim.
Ben: quer alguma coisa?
Me arrastei até ficar frente a frente com ele, e me larguei nos braços dele, eu não me aguentava nem sentada, precisava me apoiar, tento o abraçar, ele me segura e me abraça, eu estava na casa dele e parecia que Ted não estava por lá, é bem provável que minha mãe esteja me devorando em pensamento. Eu estava meio tremula e muito cansada por dentro, o bastante pra ficar bem confortável ali, sem me mexer.
Ben: Me desculpa Claire
Claire: pelo que?
Ben: Ter te oferecido isso, ter te levado pra lá, eu não sabia que iria ficar tão mal.
Claire: Vou me acostumar. Dai – fui tentando levantar—eu já estarei bem de novo.
Fiquei tonta mas continuei de pé com a mão na testa, eu precisava ir embora, estava tudo bem como eu imaginei, olhe só pra mim já estou ficando irreconhecível mentalmente, eu já nem era mais quem eu sempre fui, minha cabeça revira informações pra que isso que eu esteja fazendo tenha um lado bom. Mas não tem, e eu dou sorrisos com esse resultado que retarda minha mente, as palavras “preocupação”, “sensato” e “vida” já não existiam mais.
Ben: Aonde você vai nesse estado?
Claire: Vou pra minha casa, não vou ficar aqui. 
Ben: Porque não?
Claire: Porque eu preciso de um banho, uma cama. Volto pra te ver mais tarde. Pra gente, sair.
Eu sorri, acendi um cigarro e sai andando meio cambaleando, e eu podia sentir que Ben, estava me olhando enquanto eu caminhava pra casa, indo ao encontro das discussões da minha mãe, ela devia estar apavorada, e eu? Não dava a mínima, esta garoando, eu sinto na minha pele insensível os pingos se chocando levemente, a fumaça do meu Dunhill se passando por trás de mim, abri a porta de casa com o cigarro na mão, não ia esconder que estava fumando pra uma pessoa que eu nem me importava.
Lilly: CLAIRE? O QUE É ISSO AGORA?!
eu continuei andando até meu quarto
Lilly: CLAIRE ME RESPONDA.
eu continuei em silencio até entrar e trancar a porta e me deitar na cama. Ela ficou esmurrando a porta meia hora, cansou e saiu andando pra algum outro cômodo da casa, eu levantei e fui ao banheiro, me olhei no espelho e não me enxergava, afinal ele só refletia o físico, meu rosto destruído, eu liguei o chuveiro, agua quente me arrepiou, peguei o shampoo na prateleira de vidro do meu lado esquerdo, coloquei um pouco na minha mão, e esfreguei no meu cabelo, meus olhos quase não resistiam ficar abertos, minha boca continuava seca, bebi a agua do chuveiro, derrubei umas 5 vezes o sabonete de baunilha no chão, até conseguir me lavar inteira já fazia umas 2 horas que eu estava ali dentro, desliguei, puxei a toalha do box de vidro, me enrolei com frio, acho que o clima diminuiu, um passo de cada vez, abri o armário, peguei minha camiseta vinho, com uma estampa de caveira preta, meu nariz me incomodava, passei a mão nele, já era a décima vez que eu passava a mão nele, peguei meu 

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Kay: Ta bom, eu gostei, como fazem esse café? Colocam o que aqui dentro?
Claire: Eu sabia
Kay: Serio, tem alguma coisa aqui dentro. Deve ter cookies aqui.
Claire: Cookies? Como Cookies?
Kay: Cookies é a coisa que eu mais amo. James costumava fazer cookies pra mim.
Claire: é pode ser
estiquei o braço, chamei o cara que nos serviu
- um café com creme e bastante cookies.
- é pra já
Kay: Não vi cookies pra vender aqui
Claire: Conheço aqui a anos.
Kay: agora tenho mais um lugar pra recorrer quando me der fome na rua.
- sorrimos
Depois de o cara voltar e trazer o pedido dela, ela arrotou e o cara na nossa frente olhou pra mim, ficamos sérias e depois dele entrar no taxi, entramos em crise de riso e pegamos outro taxi logo depois, ela foi pra casa e eu fui a rumo da minha, eu fiquei olhando a janela e vi o Ben no parque que eu o conheci, pedi que parasse, abri a porta e fui falar com ele.
Claire: Ben, o que você esta fazendo aqui?
Ben: Passando o tempo, igual no dia que te conheci.
Sentei do lado dele.
Peguei um cigarro, já estava escurecendo, dei um trago, fiquei olhando as estrelas aparecerem conforme o Ben ficava me olhando, minha preocupação do estado dele diminuía conforme ele dava alguns sorrisos vindo de lembranças antigas que apareciam de seus olhares penetrantes no céu.
Ben: Vem.
Ele levantou eu fiz o mesmo e íamos caminhando.
Ben: Um pouco de curiosidade por favor
Claire: Ta. Então, aonde vamos ?
Ben: Vamos experimentar um mundo de ilusões socialmente.
Claire: Vamos usar qual delas?
Ben: Cocaína. Já experimentou?
Claire: Não. É para o mundo dos afogados em drama psicológico, ou depressão.
Ben: Exatamente.
Claire: Ou pra uma pessoa com a minha cabeça.
Fomos andando pro sul, rumo aos caras com a “tal” que usaríamos pra abater a toda a dor consumida pelo passado ‘ensurdecedor’ estranhamente absorvido pelas nossas memórias e voltava a nos fazer chorar. Um saquinho na minha mão, um lindo estrago no meu corpo, efeito passando pela minha cabeça, mais drogas, todos estão rindo, mas que cena falsa, todos parecendo feliz pela química, feche as ruas eu quero ver o que meu futuro espera, uma lua cheia, tudo muito belo, eu quero me sentar, minhas pernas estão doendo, Ben?
                -Claire? Claire? Me responda
Eu abri os olhos ardentes, olhei pra ele,  era a única coisa que eu lembrava, meu nariz esta sangrando, minha dor além do corpo, tentei apoiar minhas mãos no chão e me erguer, passei a mão no meu nariz, eu preciso de agua.
Ben: Claire!

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Kay: meu namorado, o nome dele era James.
fiquei observando seu olhar que já não se passava mais por esse mundo.
Kay: Entre vários caras que já conheci o James era aquele que você ria só de olhar nos olhos dele, que quando você estava mal, ele ficava do seu lado, sem dizer nada, só la pra te fazer companhia e se certificar de que se você precisasse dele, ele iria estar sempre ali te esperando, sentado do seu lado abraçado com você vendo suas lagrimas correrem mais rápido que a dor.
Claire: o que aconteceu com ele?
Kay: em um dia de chuva, ele estava no banco carona no carro com o pai dele dirigindo, o pai dele tinha acabado de brigar com ele se distraiu na curva e deu de frente com outro carro de porte maior, a lateral que o James estava ficou destruída e ele morreu na hora, a cabeça dele foi esmagada e se ele sobrevivesse ficaria paraplégico. Fiquei sabendo quando a mãe dele ligou pra mim dizendo o que tinha acontecido, acharam o celular dele que tinha voado pra fora do carro segundos antes do acidente e James tinha acabado de escrever uma mensagem no celular pra mim que não pude receber, dizia que iria na minha casa naquele dia me fazer uma pergunta, o pai de James foi levado pro Hospital e ficou em coma por algumas semanas, acordou consciente e queria falar comigo. Ele me disse — Kay começa a chorar— me disse que o James ia me pedir em casamento, e entregou o anel na minha mão.
                Ela abaixou a cabeça e virou pro lado mordendo os lábios e chorando, eu não pude evitar de levantar abaixar e abraça-la, ela era especial, eu via isso nela, ela me abraçou e chorou no meu ombro, apertando me moletom e eu pude sentir as unhas dela me machucando, mas não me machucava mais em pensar que eu também já perdi quem amava, mas ela, perdeu muito mais que eu, quando ela se acalmou, ajudei ela a levantar e ela enxugava o rosto, convidei ela pra ir comigo tomar um café, a um metro dali tinha uma lanchonete que eu adorava, eu e ela entramos e o barulho do sino balançou duas vezes, sentamos na terceira mesa da janela.
Claire: Já tomou o café daqui?
Kay: Não, não gosto de café
Claire: vai gostar, vou pedir um pra mim e você experimenta,  se não gostar pode pedir outra coisa.
ela sorriu.
Kay: Quem você perdeu?
Claire: Minha tia Jessie, ela era inglesa e adorava ler,  morei com ela a minha infância toda, até os meus 12, morava eu, minha tia e meus pais, ela tinha bastante dinheiro e meus pais não tinham nada, eles não paravam em casa, viviam procurando emprego, ela saia comigo todas as tardes, vinha comigo naquele parque em que você veio falar comigo, me tratava como filha, adorava ler e sempre lia pra mim toda noite. Quando eu tinha 10 anos ela descobriu que tinha câncer na medula, fez todos os tratamentos, mas quando eu tinha 14 ela morreu, deixou a herança no nome dos meus pais pra poderem me sustentar, deixou a casa e tudo pra gente.
Meus pais fizeram varias faculdades e agora conseguiram empregos muito bons. Eu sinto falta do amor da minha tia.
O Café chegou, antes que Kay pudesse se sentir mal, eu estiquei minha xicara pra ela.
Kay: Eu realmente não gosto de café.
Claire: Toma
Ela experimentou e fez uma cara que não gostou.
Claire: Ta legal, pode pedir outra coisa

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Lilly: Claire onde você esteve?
Claire: Não recebeu meu recado?
Lilly: porque não me ligou?
Claire: Porque meu celular descarregou.
Lilly: Claire não mente pra mim.
Claire: Se eu falasse a verdade entraria em desespero e ficaria me enchendo de mais perguntas do que esta agora.
Lilly: Não importa
Claire: Mãe, eu estava comemorando meu aniversario de 18 anos. Esqueceu?
Lilly: Isso não é desculpa por ter feito isso comigo e com seu pai. Não vai sair essa semana, vai ficar TRANCADA aqui nesse quarto.
Ela saiu batendo a porta, surpresa ver minha mãe brava, ela não ficava assim desde a ultima fez que fiz birra por um brinquedo com meus 6 anos de idade. Não me fazia diferença se eu estava ou não sem autorização de saída, do lado direito da minha janela ficava a cobertura da cozinha, dava pra eu ir pela beirada pelos detalhes da frente da casa e pular ali, depois pular de novo no chão.
Troquei-me, Desci e almocei macarrão que eu mesma tive que preparar e queimei meu dedo do meio na panela, depois de terminar de comer aquilo e um copo de suco eu fiquei procurando alguma coisa pra ler, procurei entre os 3 livros que havia ganhado a anos da minha tia inglesa Jessie que eu nunca tinha lido, ”Ulisses” de James Joyce,  “Memorias do Subsolo” de
Fiódor Dostoiévski e “Os demônios” da Editora 34. Escolhi o ultimo - “‘Um golpe nas têmporas e não sobrará nada’. Que importam as pessoas e que elas passem mil anos repudiando, não é? (…)” -  Este era um dos livros preferidos da minha tia antes dela morrer, ela era a única que sabia conversar bem comigo sem que me deixasse desconfortável com o assunto ou que me sentisse absurdamente cansada com sua presença, ela morreu de câncer na medula quando eu tinha 14 anos, fez de tudo mas não sobreviveu, passei um ano remendando minha vida novamente, daí em diante nada em mim virou como antes, talvez por isso esteja assim agora. – Droga. Fechei o livro peguei o cigarro enfiei no bolso do meu moletom cinza, coloquei meu vans, prendi o cabelo,  pulei a janela e em 10 segundos eu estava fora de casa, eu estava remoendo de novo aquilo  que eu não sentia a 4 anos atrás, - saudade, e esta doendo, ergui as franzi as sobrancelhas, segurando a lagrima de escorrer na ponta do meu olho. “Não saber de nada, também é bom para não sentir dor alguma.” – TLS – É uma das minhas frases preferidas.  Talvez eu devesse escutar alguma musica que recolhesse minha tristeza e a aumentasse em 50x. Fui sentar no balanço do parquinho que eu a minha tia frequentava. As cenas dela me empurrando por trás do balanço, correndo comigo ecoavam na minha cabeça até que uma voz me interrompeu.
- Ta tudo bem?
Olhei pra cima e era aquela garota que eu tinha visto no bar sentada do meu lado.
Claire: Qual seu nome mesmo?
- Kay.
- Claire
Kay: eu vi que estava em uma nostalgia profunda e um olhar carregado de dor.
Claire: Já perdeu alguém que amava?
Kay: Já.
Claire: quem?

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(Source: serenity-in-la)

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- você de novo?
Me virei pra olhar quem era, Ben.
Claire: Oi, o que você esta fazendo aqui?
Ben: vim com o Ted aqui nos embebedar.
Claire: Onde ele ta?
Ben: No banheiro.
Atrás de mim a porta do banheiro feminino se abre com tudo com uma mulher loira batendo em um cara alto, de perfil forte, parecido com o Ben, Ted.
Ted: Essa loira me ama.
Ben: Ted, essa é a Claire.
Ted: A que você esbarrou ontem?
Ben: É
Ted: prazer, veio aqui fazer o que.
Claire: Quase a mesma coisa que você, só que, sozinha.
Ted: Não tem problema você pode sentar com a gente.
Claire: Ta.
Ben: Vamos lá encher os copos, eu pago pra você uma Tequila
Meus planos inexistentes dessa noite começaram a aparecer.
Fomos até a bancada enchemos o copo, pegamos um maior, tomamos das mais exóticas bebidas até as com mais concentração de álcool liberadas.
Até dar 2 horas da manhã, eu não sabia mais o que falava, pra andar era um sacrifício surpreendente, pedi pro Ted escrever uma mensagem pra minha dizendo que estava tudo bem, e que eu estava na casa de uma amiga, pulei no colo do Ben, e ele me carregou até uma rua sem saída, pulamos o muro e eu sentei ali, com os olhos rodando e ardendo, cruzei as pernas, ouvi meu celular tocando mas não conseguia ver quem estava me ligando, desliguei o celular, era um dos únicos  comandos que eu conseguia dar pro meu cérebro.
Claire: Vamos sair daqui?
Ben: Pra onde quer ir?
Ted: Vem comigo.
o Ted me carregou pra pular o muro, e fomos até uma loja, roubamos umas bebidas que eu não li as marcas, fomos bebendo.
                Uma Luz clara na minha cara, uma dor que machucava até a memória, esfreguei meus olhos e tentei abri-los, Ted e Ben, estavam dormindo ainda, liguei meu celular, 35 chamadas perdidas dos meus pais, 23 sms. Levantei, e deixei um recado no celular dos dois, sai andando, estou trocando meus ideais, minhas questões de pontos de vista sobre isso tudo chamado, vida, estou tendo atos medíocres, que estão me divertindo e me destruindo.
Destranquei a porta e entrei minha mãe estava dormindo no sofá, e meu pai estava no trabalho, subi silenciosamente, entrei no banheiro, eu estava com uma cara horrível e um cabelo despenteado, olheiras mais escuras do que aquelas de mendigos, liguei o chuveiro entrei de roupa e tudo fui tirando conforme minha dor de cabeça amenizava, peguei o shampoo, lavei a cabeça, quando minha mãe acordasse diante de tanto desespero deu ter saído, vai vir me xingar por ato de preocupação e lado maternal, que não me serviria pra nada.
Lilly: Claire é você?
me enrolei na toalha, e abri a porta, minha mãe com a mão na testa e o cotovelo apoiado na parede desconsoladamente me olhando.

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Claire: Quem é Ted?
Ben: meu irmão, qualquer dia te apresento ele, até outro esbarro.
Claire: Até
Ele saiu andando na direção norte e eu fiquei dando viradas pra trás pra olhar ele indo embora, eu já estava a caminho do abismo, metade do meu consciente começara a desviar minhas ideias sensatas, eu ainda andava sem saber pra onde eu estava indo, olhando pros meus pés dando paços sem direção, pude perceber que eles estavam molhados e sujos pelo parque, resolvi virar na direção da minha casa, virei a olhar pras pessoas que passavam, eu posso ter esbarrado em uma mudança na minha rotina hoje, esse Ben pode ser uma desculpa pra mudar isso tudo. Desliguei meu pensamento até chegar em casa, a meio metro dali, um yoga pessoal.
Lilly: O que você estava fazendo na rua?
Claire: Esbarrei com um colega de sala e acabamos nos distraindo na hora.
 ‘Menti’
Lilly: Por que não avisou que chegaria tarde?
Claire: Porque eu não sabia que estava aqui
Lilly: Eu vim mais cedo, troquei de horário hoje, amanhã já volto ao horário normal.
Claire: Vai trabalhar a noite também?
Lilly: Vou.
Claire: Hm.
Entrei na cozinha olhei na estante pra procurar o que comer, peguei a pizza que sobrou de ontem e esquentei no micro-ondas, a noite, pode ser que eu arrume algo o que fazer, sair, andar de novo, algum lugar diferente, um bar talvez, um pensamento insano pra quem nunca bebe, nem socialmente, mas eu não me preocupo, arriscar. O micro-ondas apitou e eu o abri e peguei o prato de porcelana, fui até a sala sentei no sofá e liguei a televisão, passei os canais aletoriamente e deixei em um filme de drama, comi meu pedaço de pizza, coloquei na pia e subi pro meu quarto. Tentei dormir pra passar o tempo, sonhei que eu estava sentada na minha cama fumando um cigarro com uma caneca de café com leite na outra mão, olheiras enormes e com um olhar de desgosto, alguém toca a campainha eu desço e abro a porta tem milhares de pessoas e as olho uma por uma, dou um sorriso e fecho a porta, fazendo elas esmurrarem a porta e eu não me incomodo, fico sentada na beira do sofá tranquila, acordei com dor de cabeça e desci pra procurar minha mãe, ela já tinha ido pro trabalho, olhei na garagem pra garantir que o carro dela e do meu pai não estava lá. Subi pro meu banheiro, tomei banho, saí com a toalha enrolada no cabelo, vesti meu short, uma camiseta preta de manga comprida com o desenho de uma floresta que eu comprei na internet. Minha meia-calça preta, minha sapatilha, peguei minhas chaves na cômoda, saio de casa, vou até o bar ali perto compro um maço de cigarros do Dunhill, comprei um isqueiro da Clipper, sai acendi um, traguei, sorri, sai andando de braço cruzado, atravessei a rua, sentido centro, procurando um bar lotado, entrei, fui passando por entre as pessoas, um som alto, gente fedendo a vodca, sentei em um banquinho do lado de uma garota de cabelo escuro, que segurava um copo de Whisky, ela me olhou mas não falou comigo.
- Um copo de vodca.
O cara me deu eu paguei e saí andando, bebi tudo em um gole, aquilo ardeu tudo, esbarrei em alguém
- Desculpa.